quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Como era o passaporte na década de 50?

Para quem nunca teve um desses em mãos,seja como o próprio viajante na época ou guardado como uma lembrança de família, apresento para vocês o passaporte da REPÚBLICA DOS ESTADOS UNIDOS DO BRASIL da década de 50. 
Algum tempo atrás, minha avó me presenteou com o seu primeiro passaporte tirado aos 16 anos de idade, em 1953. O passaporte foi solicitado para a primeira viagem que fez à Europa em que reveria

alguns parentes e conheceria outros, na cidade da Póvoa de Varzim em Portugal. Na época era obrigatório a solicitação de visto que foi emitido no Consulado Geral de Portugal, no Rio de Janeiro. Inicialmente a permanência concedida foi de 60 dias e o visto deveria ser utilizado no prazo máximo de 120 dias após emissão. O passaporte tinha validade de 2 anos (não sei se pelo fato da portadora ser menor de idade).




Bom, desses 60 dias, uma boa parte já era utilizado em navegação até a Europa. No passaporte tem carimbos de embarque no Rio de Janeiro em 15 de maio 1953 e  desembarque em Lisboa em 25 de maio de 1953, 10 dias de viagem. 

Quantas dificuldades! O passaporte é recheado de carimbos por conta dos períodos curtos de permanência que lhe eram concedidos. Para ela permanecer 7 meses na Europa, precisou de inúmeras idas à Câmara Municipal de Póvoa de Varzim para renovar os vistos que expiravam a cada 30 dias. Fora a ida ao Consulado da Espanha localizada em Porto para emissão de visto em que permitiu a permanência na Espanha por noventa dias com direito a entrar e sair no máximo 3 vezes. 


O passaporte era emitido com destino definido, acreditem! Na página 4, "Países para os quais êste visto é concedido".


São inúmeras as mudanças para os atuais, com seus vários dispositivos de segurança como chip eletrônico, marcas d'água, páginas em papel moeda, desenhos holográficos, fotos digitais, com todas as folhas perfuradas com o número de registro e agora com a validade de dez anos.

Páginas com "PASSAPORTE ESTADOS UNIDOS DO BRASIL" escrito como item de segurança
Antes traduzido apenas para o francês, as informações do passaporte atual, passaram a ser traduzidas em 3 idiomas: Francês, Inglês e Espanhol.

Poucas coisas permaneceram. De cara identifiquei três: a mesma quantidade de número de páginas (32), assinatura do portador à caneta e a seguinte frase logo na primeira página com retirada da parte tachada:

"Roga-se às Autoridades estrangeiras e determina-se às Autoridades brasileiras que prestem ao titular dêste passaporte auxilio e assistência em caso de necessidade."

Várias coisas chamam bastante atenção:

- anotação à mão, informando que a menor viajava autorizada pelo pai, sob registro da certidão apresentada na "Seção de Passaportes".


- o comprovante de pagamento da taxa de emissão do passaporte, registrada em selos, tais como os vistos:



- creio que em 1953 não fosse muito comum uma mulher viajar desacompanhada do marido. Chego a essa conclusão pelo fato de haver um quadro com foto e assinatura do portador e ao lado, quadro para a foto e assinatura da esposa:


- tais como as digitais constantes em outra página:


Com esse passaporte em mãos, juntamente com as histórias contadas pelos viajantes da época, nos mostram que hoje em dia, todo o processo para se transitar entre continentes, vem se tornando cada vez mais fácil, barato, prático e muito rápido. 

4 comentários:

  1. Sua avó deve ser um exemplo de mulher, bem a frente do seu tempo.

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    1. Isso mesmo meu amigo! Enfrentar uma viagem dessa, com diversas dificuldades, sendo mulher e ainda menor de idade. naquela época...

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  2. Muito bom....uma verdadeira aula sobre os avanços internacionais quando trata-se de turismo, vistos, gastos, etc. Orgulho de ver tanto interesse numa matéria que envolve minha mãe e meu filho, "viajantes" internacionais há tanto tempo.
    Parabéns aos dois!!!

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    1. Obrigado pai, sem falar no seu avô João que também amava viajar, está no DNA da família, não tem jeito! Kkk

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